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domingo, 24 de maio de 2015

Dor psicossomática


“Doutor, que dor no coração...!”




“A dor não surge apenas da estimulação periférica, mas também de uma experiência da alma, que reside no coração” Platão
A saúde emocional e a física andam lado a lado, exemplificamos isso no post anterior quando falamos que a origem emocional pode causar uma dor tão intensa quanto a dor física. Os profissionais que estudam e trabalham com essa relação são conhecidos como psicossomáticos. Mas o que é isso de “psicossomático”?

A psicossomática é uma ciência interdisciplinar que integra diversas especialidades da medicina e da psicologia para estudar os efeitos de fatores sociais e psicológicos sobre os processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar das pessoas. O reconhecimento de um fator emocional em uma manifestação da dor física é importantíssimo para compreender porque algumas doenças não se manifestam de forma orgânica.



Nosso corpo é tão inteligente que muitas vezes ele se cuida melhor do que cuidamos dele. Nossos estados emocionais podem não ajudar essa relação de homeostase (equilíbrio) corpóreo e podem sim afetar nossa saúde física, e a recíproca também é verdadeira, nossos estados físicos afetam nossa saúde emocional.

As dores de cabeça, no estômago, musculares, falta de ar, podem ser respostas do corpo a fatores estritamente emocionais, como: exposições frequentes a estresse, a perda de um ente querido, relações profissionais, familiares, fim de relacionamento. E falando da perda de alguém querido ou do fim de um relacionamento, o que dizer daquela dor de aperto que sentimos e que muitos chamam de dor d’alma, “ uma dor do coração...”. Às vezes pensamos que não conseguiremos suportar tal dor e nos prendemos tanto a ela que achamos que jamais irá passar. É uma dor tão profunda, que muitas vezes se manifesta fisicamente, a princípio, em forma de lágrimas. Já deu para entender que é importante valorizar, não somente os fatores externos da expressão da dor, mas os fatores psíquicos que fizeram esta se manifestar, confere? É o inconsciente se expressando de forma simbólica.

A dor e os fatores psíquicos que a medeiam são denominadas de “Dor Psicogênica”, uma dor que não tem origem física. A sua manifestação interna e externa é controlada pelo sistema hipotálamo-hipofisário, um eixo cerebral. Este regula a liberação de mediadores químicos, sobretudo endorfinas. Endorfinas são substâncias liberadas no organismo, que agem como analgésicos. Sendo assim, atuam no estado emocional, modulando a dor e reduzindo os estresses. Assim, quanto menos liberadas, mais a dor se manifesta.

É o modo de encarar o dano sofrido e de querer permanecer na dor que irá determinar a duração e a intensidade desta, podendo assim agravá-la ou não.


A verdade é que na dor emocional não há lesão, nem doença, no entanto, a expressão física pode ser real, como já falamos, e se manifesta de diversas formas. Ela tem seus fatores positivos, sua importância na formação do indivíduo, na aprendizagem por experiências adquiridas, nas respostas de defesa do corpo. No entanto, é preciso exercer um controle do tempo de manifestação destas e nos fatores negativos que ela pode desencadear quando em excesso. Por isso se faz necessário, muitas vezes, procurar uma ajuda profissional para ajudar na canalização desta, que nem sempre é um médico apenas, um psicólogo, terapeuta também pode ser um aliado se este for o problema.



Ref.: Rede Ubuntu



Érica Prazeres